sexta-feira, 14 de março de 2014

Porque vi rios em você.

Talvez, certamente, os meus gestos de agora digam o oposto do que eu disse outrora.
Àquela primeira, e deliciosa impressão que tive de você desde o primeiro dia eu quis apagar. Associar você às lembranças de um amor antigo me fez pensar que alimentar alguma coisa seria ver em você alguém que era fruto de minhas fantasias nostálgicas.
Descobri  que não queria, e que certamente se viesse a querer não deveria. Ou seria um sentimento que não está em mim e nem em você? É, talvez. Algo que está em outrem, não é nosso, embora nos envolva; não o é.
O fato é que agora bastou um elemento. Bastaram seus olhos. Seu gosto.
Bastou a simpatia, um gesto cauteloso, uma carona-caminhada.
Bastou apenas a minha sensibilidade de ver um rio em seus olhos. Esse rio que corre dos teus olhos deságua num mar que desconheço, mas desse rio fluem cachoeiras, destas, ao ouvir o som, não resisti.
O som das águas me chama. Não sei a temperatura da água, nem a dimensão dos teus mares, mas quero mergulhar.

[...]


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Sobre uma falta, com "f" minúsculo.

FALTA. O que é isso?
Ausência de?!...
Meu corpo, meu coração meu ser querem gritar que sentem falta. Mas quando indagados, respondem que sentem falta de coisas que percebo serem velhas...
Coisas que pereceram nas circunstâncias da vida, coisas que me desfiz. Coisas que o caminhão do lixo já levou, o aterro soterrou, o vento, o tempo, os dias ... a MEMÓRIA  apagou. (#mentira,ironia e verdade)
Saudades são inevitáveis, pois vem carregadas de lembranças.
Saudades de pessoas são constrangedoras. Porque me sinto inútil ao saber que sinto saudades de um amor que poderia ter valido a pena se a pessoa valesse, se eu pudesse com minhas palavras, cartas e versos de amor fazer a visão daquele que leu tudo, captar o sentido maior de toda essência da vida...
Saber que ele valeria a pena se fosse em um aspecto diferente, faz essa falta ser minúscula.
Mas ainda assim, é uma falta.

Não resistindo a tentação, escrevo.

A frase que dá título a este post, é bem o que eu me dei conta: não adianta eu exitar, fugir, inventar desculpas. É que vivem vozes gritando cá dentro de mim, pedindo pra eu falar ( e olha que e falo pelos cotovelos), quem me conhece bem, sabe bem como sou.
Acontece que tem coisas que devem sair da oralidade e precisam ficar registradas. Parece uma missão essa coisa de escrever.
Obrigação, também o é, pois um dia quando eu morrer, isso tudo vai servir pra alguma coisa. Seja o que for agora, serve. Serve pra mim que escrevo e desabafo como uma espécie de terapia e pra quem lê, ou alguém que anda caçando blogs, enfim, SERVE!
Chega de tentar justificar essa escrita.
(...)
Eu tenho estado tão plural ultimamente, que essa escrita é mais uma tentativa de tentar falar um pouco disso, mas acho que é pretensão demais minha querer definir tudo que tem acontecido, porque é tudo muito bom.
É uma montanha russa, segurando nas asas de um anjo.  
Ficar mais velha é uma sensação estranha e gostosa. Os dias passam mais rápido, e eu sinto uma vontade enorme de fazer um monte de coisas, mas acordo cedo e cedo o sono me toma, às vezes com o celular na mão, às vezes com um livro, às vezes no ônibus a caminho de casa.
Durmo. Acordo. Vivo.
E essa vida que vivo agora, tem sido algo muito, mas muito mais sobrenatural do que poderia experienciar.
É bom ser de Deus, estar Nele e saber que " todas as coisas cooperam para o bem daqueles que O amam".

domingo, 3 de novembro de 2013

Parabéns! Você conseguiu.

Parabéns! Você conseguiu. Sinta-se vitorioso por conseguir desfazer um sentimento, por acabar com alguém por dentro e nem sequer se desculpar.
Parabéns, por conseguir forjar um sentimento.
Por se vingar em tantos momentos, por uma falha que dissera perdoada.
Parabéns, por ser pior que eu.
Por fingir gostar, ter prazer, querer.
Se um dia você quis alguma coisa, hoje já não sei. Agora já não quero.
Mas isso agora pouco importa, estou indiferente a você e a tantos outros.
Tesão não me comove, lágrimas não me convencem e um olhar 43 não mais me abala.
Me movimento por outros lugares, caminho em outra direção.
Se um dia meu caminho cruzou com o seu, saiba que agora qualquer atalho que leve ao lobo mau, é melhor do que ter o desprazer de ter que te ver.
O que um dia tanto eu quis, hoje nem desprezo, nem odeio.
Ignoro. Silencio.
Mas, se ainda eu puder te fazer um pedido será esse: me favorece com tua ausência.
E, parabéns! Você conseguiu.

Sobre homens-carrapatos.

Ela imaginava que ele ficaria para sempre entranhado em seus poros, como um parasita, que se apoderara dela e dali jamais sairia.
Um dia o carrapato, que ali se alojara no corpo daquela cadela, quando perguntado sobre se aquele animal era uma cadela, o carrapato respondera:
 - Não é uma gata.
- Ora, carrapato. Você me consome, me usa, me suga, sorve-se de mim e nem sequer tem coragem de assumir que suga uma cadela!Fora hospedeiro.

Pode parecer uma metáfora muito louca, nojenta ou até mesmo estúpida, mas é a forma asquerosa que às vezes encontramos de nos referir à algumas pessoas. Essa talvez tenha sido a melhor forma de encontrar o ponto ápice do desapego. Ela teve de perceber, que o seu sangue, seu suor, seu amor não tinham valor para àquele carrapato. Pior agora ela se convenceu de que seu sangue vale muito para carrapatos.
Sobre parasitas ela prefere não pensar mais. Isso é uma decisão.

sábado, 14 de setembro de 2013

Sobre as coisas que descobrem da escrita gente.

Na véspera daquele encontro, eu fui convidada a fazer a minha classificação vocal no coral; meio rouca e com um receio frenético de não ser mais uma vez posta na posição de soprano, fui.
Tive a sorte de ser a primeira, e de ser novamente soprano.
Olhei no relógio, decidi ir. Cheguei atrasada.
Naquele momento, em meio a tantos textos, não me preocupei com o que pensariam a respeito do meu. Não me julguei. Apreciei os demais.
Ao pôr do sol, me pus a escrever. Falar de estações.
Lembrei de minhas paixões, criei ou reconheci uma tal mulher-rubra, não sei ao certo.
O instante dessa leitura, foi eloquente.
No meio de tanta gente, vezes e voz, uma estalou. Falou de minha escrita confessional.
Percepção fatal.
Eu que escrevia, sem imaginar que nunca perceberiam. A...
Primeira pessoa.
Eu.
Latente em meus versos, malditos verbos! Linha azul de minhas costuras.
Casa de meus botões.
Terceira pessoa.
Ela, que ora é Capitu, oblíqua e dissimulada, ora é.
O nosso rosto no espelho dos outros, é assim nossa escrita no inaudível mundo-leitor.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Sobre entrances e nuances.

Hesitei em escrever, mas o desejo de poder deixar vir à tona o que se segue foi maior que minhas vontades absurdas. Isso já é um absurdo.
Eu não me sinto menor, por nada do que você me disse, se você for tão esperto quanto quis se mostrar, mais uma vez, você vai perceber que houve drama. E que eu fui bem irônica, quando disse que bebi seus aprendizados de canudinho.
Posso não ter bebido você, nem sua absoluta vodka. Pouco me importa.
Seu jeito às vezes, esnobe, bipolar e eloquente, me fez ver um lado obscuro e alguém que às vezes emerge em mim.
Imersa nesse mar que eu procurei, não foi novidade para mim nada que você causou, por uma busca minha.
Tão pouco me importa o que você acha do destino, afinal ele não precisa de nossos achismos, ele é um Ser.
Seu machismo foi só mais um.
Você poderia ter sido só mais um. Você, não pense que se poupou.
Não vai me fazer achar a mulher fácil, dizendo que eu forcei a barra.
Sou do tipo obstinada. E uma porta na cara, não é novidade, não foi e não será. Nem com relação a relacionamentos, nem com relação a nada.
Eu vou, faço, consigo ou não, no final eu aprendo.
Entende, hanney?! Do you understend?!!!
Você já é um personagem, desde o dia que eu quis que você fosse. Pode ser que você nunca seja real. Eu nunca quis, afinal me encantei pela sua ficção.
Você sempre foi uma. Eu sempre soube.
Não forcei a barra. Forcei uma ficção.

Kisses.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Um sussurro na multidão.



Foi mais um dia como os outros. Seria, se ela não estivesse se sentindo de maneira tão avessa à forma como acordou.
Quando abriu os olhos, ela pensou nele, pensou em Deus, fez sua prece matinal, cantou seus louvores.
Produziu.
Divagou pelas ruas, viu pessoas, teve misericórdia do mendigo.
Ela não estava infeliz, só não se sentia amada.
E isso lhe fazia falta. Tentara se convencer de que não carecia de afeto de homem nenhum, que os livros, leituras, estudos e friendship lhe bastaria, mas... o dias iam e viam, e ela sentia falta...
Daquele arrepio que se sente, aquele perfume que fica grudado.
Disso ela tem falta.
Ele confabula sozinha, ela fala a si e a ninguém. O que ela sente só ela entende. Anormal.
Anomalia maldita essa solidão!
São só desejos, devaneios e sussurros que ninguém vai ouvir.
O amor não quer ouvir.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A UM ESTRANGEIRO



Não sei bem ao certo quem és.
Nem como vim para nesse convés.
Me encontro aqui, onde você está.

Gostaria de poder te receber em minha sala agora,
e te servir alguma coisa,
fazer as honras da casa.
Gosto de receber bem, os que me visitam.

És um visitante, e és estrangeiro.
Demoras ou está de passagem?

Espero que não tenhas pressa, a vida é breve
a alma é vasta.

Basta você se permitir,
já nos encontramos.
O destino já fez a parte que lhe competia.
Estou tentando fazer a minha.
Mas uma insegurança me deixa aturdida,
a incerteza do se, a insegurança do quando, o receio do até.

A maré está alta, não deves ir.
Quando estiver baixa, fique ainda...
Vamos ver o sol beijar o mar.

Querido Senhor R.




Queria te dizer tanto agora Senhor R. Tanto nessas palavras, tanto no meu olhar. Muito no meu abraço e o essencial em um gesto.
Te colocar em meus braços e te trazer a sensação desse perdão, que embora não me tenhas pedido, de coração já te foi concedido.
Devo sentir por ti, algo que transita entre o amor e amizade, e o fato de serem sentimentos tão irmãos, me fazem querer estar contigo, e ainda que eu tenha instaurado essa lacuna entre nós, e sabemos o porquê dela, a todo tempo te trouxe comigo... Na lembrança, na ausência do livro dado, em flashes de memória.
Nos meus escritos, percebi que me torno o que gostaria de ser pra você: esse ser genial. Você me adjetivou, ainda que na escrita de uma forma tão singular. E o teu afeto à minha escrita me afetou de fato. Assim como um dia fui afetada pela tua. Depois, aos poucos por você.
Seja um platonismo ou não tudo isso que sinto por você, me serve como combustível, pois sempre me lembrarei de algum dia, entre esfihas e conversas, entre papeis e confissões senti na minha alma, numa palavra, uma simple palavra um elogio descomunal.
Senhor R, você pode não ser tudo que anseio, mas o que se permite ser em minha vida já me faz um bem, que estou aprendendo a administrar.


P.S: És sublime. E para isso ainda não tenho definição, mas de fato, para mim tu és.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Brincar de ser garoto.

Gostaria de economizar minhas palavras com você, porque às vezes me vem na ausência de suas respostas uma raiva de mim por te querer.
Me vejo tripartida entre o querer, o desistir e o persistir. Oscilo entre o primeiro e o último.
O que me faz te querer, confesso que às vezes nem eu mesma sei. 
Fui desnorteada por uma forte reminiscência do passado, enquanto via vocês saborear um cerveja bem na minha frente.
Você dizia as coisas com tanta naturalidade e eu ali, feito boba, anestesiada, me perguntado se você era real.
Agora me dei conta, de que ainda estou zonza com tudo isso.
E, como o efeito "borboletas nos estômago" que você deixou vai e vem todos os dias, eu fico assim me dividindo entre o que quero, o que devo e o que não mais exito.
Nunca exitei muito, nem com você, nem com ninguém. Com nada. Sempre fiz o que achei necessário e o que quis  fazer.
Não saberia listar, quiçá nomear bem as coisas que gosto em você, mas se for pra falar do que já não gosto uma palavra traduz bem: jogo.
Jogar de ser garoto? Isso não me convence. Se fazer de inocente, pode até despertar minha libido, meu rapaz.
Mas não se faça, de garoto.
Seja homem pra dizer o que não quer.
Não há coisa pior do que um homem, que tenta, mas nem sequer sabe ludibriar uma mulher.



Crise de abstinência verbal?!?

Por que às vezes se torna tão difícil externar o que pensamos ou sentimos?  Prefiro quando sou invadida pelas enxurradas, que invadem-me as costas e penetram meu estômago, permitindo-me eliminá-las de uma só vez.
Odeio esta cegueira, na qual agora estou, que me obriga a ficar tateando letra por letra, esmiuçando e escamoteando palavras, pra dizer pouco do muito que agora está aqui, me torturando.
Um verso não serve, queria uma prosa dilacerante e comprida.
Talvez, esteja sendo eu um sótão vazio, que precisa do sol. A estante, está empoeirada.
Alguns livros já não sei quanto tempo faz que os li. Alguns ainda estão lá, abertos no último capítulo que li.
E essa abstinência que não cessa?
Teria sido eu invadida pelo vazio do vazio?

sábado, 6 de julho de 2013

Poema no cais.

Queria fazer um verso, em que você coubesse.
Queria ter na mão, uma flor que você me desse.
Um bilhete, num pedaço de papel.

Eu queria aquele abraço, intenso, corrido,
desenlaçado.
Aquele, no qual você me enlaçou.
Meu coração não disparou,
parou.

Parou meu pensamento, 
senti você num só momento.

Tempo. Espaço.Estação.

Desprezo, desejo.

Vem e me convence, de que não precisa pressa.
Mas não me deixa nessa, 
incerteza.
Me traz uma estrela, numa noite de lua
Me deixa ser tua.
Me dá teu querer.


terça-feira, 18 de junho de 2013

Um jeito míope de ver.

Essa sua percepção está errada. Vês de longe, e a miopia que tens, latente em ti, te impede de ver o pouco do tanto que tens a tua frente.
Preferes ficar tateando deduções a ter que experimentar o sabor das cerejas.
Pra quem já experimentou jiló, cerejas sugerem o fruto proibido da serpente. Ainda assim, deverias provar, pelo menos ainda que ficcionalmente estarias rememorando o paraíso. Meu caro, quando a realidade é dura por demais, cabe-nos uma escapadela de ficção.
Já me vi em narrativas descabíveis, então decidi ser eu mesma autora e co-autora de minha história.



Seu lado hostil.

Antes de assim nomear, esse seu lado tive o cuidado de procurar todos os significados possíveis para hostil, hostilidade.
Creio eu, ser o adjetivo que te cabe agora. Não há motivos para se esconder. Acho que você já fez isso  demais.
Sua piada, inocência ou ironia, disse muito no pouco. Esse discurso de receios, não me comove, tão pouco me alucina. Se não percebeu, há tempos já deixei de ser menina. Sou inteligente o suficiente pra saber quando acelerar e quando usar o freio; já possuo habilitação, você não.
Talvez a sua deficiência esteja em perceber outras coisas, e não somente dirigir.
Lendo-me agora, talvez veja um outro lado de mim. O ácido e o doce. O agridoce. Nas minhas primeiras palavras, eu não escusei meus sentimentalismos, agora sou toda realismo.
De um amor, você foi ao céu e ao inferno. Eu já habitei nos dois, meu caro.
Estou aqui viva, intacta. Sem receios de homens inteligentes ou não. Penso que devias manter-te longe das pilantras, essas sim são um risco.
Pilantragem, independentemente do gênero, é no mínimo perigoso, isso sim, deveria te trazer receios.
Não necessito de merchandising, tenho um belo espelho no qual me vejo todas as manhãs, e sei inclusive que de repente serão 30 num corpinho de 20.
Morar só pode dizer muito, mas pode não dizer nada, quando o solitário ainda que livre, se recusa a experimentar o sabor da vida.
Isso são só elucubrações minhas, mas você vai sentir as alfinetadas nos olhos e pelo corpo todo. Ironia, ah, ironia...
Saiba que meu inferno astral e ascendente, são sua zona zodiacal, não que eu acredite nessas babaquices, mas em todo caso, ficas sabendo que quando pensares em me deixar in off , já cogitei deixar você em stand by.


domingo, 16 de junho de 2013

Sobre quando a vida foi generosa comigo.

Você trouxe à tona, uma lembrança que nem eu mesma sabia que ainda estava lá. Bem guardada na minha memória, estava registrada a cena de um dia de manhã, não sei bem qual dia da semana, em que eu passeava por aquele simplório shopping no centro da cidade, até que me deparei com uma livraria. Diferentemente do que é agora, e do que tem sido e ainda, do que costumava ser, daquela vez, naquela manhã não foram os livros que me convidaram a entrar ali. Foi o garoto atrás do balcão.
A vida começava a dar sinais de generosidade. Estaria vendo eu o amor eros num balcão de livraria?
Entrei, olhei alguns livros, e percebendo que ali não havia Clarice, encontrei um pretexto para ter ir até o balcão e falar com aquele simpático rapaz, moreno.
Não me lembro bem da conversa, mas me recordo que ele me deu um número de telefone, que infelizmente eu perdi. Encontrei mais um pretexto para ter que voltar à livraria, mas para minha infelicidade havia fechado, ou se mudado,não sei bem; pra maior infelicidade, minha, eu não me recordava do nome da loja, só do rosto do garoto. Aqueles sinais em seu rosto eram singulares. Os comerciantes vizinhos em nada puderam me auxiliar.
A vida deixou de ser generosa comigo.
Tanto tempo se passou, e numa segunda-feira, sem eira nem beira, fui marcada numa postagem numa rede social. Li o texto, fiquei encantada com as palavras daquele garoto.
Resolvi adicioná-lo com o intuito de conhecer esse ser, que escrevia com tamanha sensibilidade e singularidade. Nos falamos muito.
Cinco dias. Nos conhecemos.
Entre palavras e palavras, ele disse que cresceu entre os livros; seu pai tivera uma livraria. Eu inocentemente perguntei, se era em tal lugar.
Ao responder afirmativamente, ele trouxe ao presente um fato passado, que foi sendo confirmado a cada palavra que ele ia tecendo eu seu discurso. Discurso que me deixou de um jeito que nem eu mesma sei explicar.
Fiquei embasbacada. 
A vida voltava a ser generosa comigo.
Saímos dali, caminhamos pela noite.
Chegada a hora de voltar pra casa, ao nos despedirmos freneticamente o abracei. Um abraço no qual ficou explícito o " não desapareça nunca mais".
Se pudesse pararia o tempo e ficaria ali, horas e horas afins sentindo-o como o quis sentir a tanto tempo atrás. 
O fato é que agora, não sei bem porque ele está de volta. E eu estou feliz, e a vida foi muito generosa.
Não sei quanto tempo ele ficará desta vez. Só sei que desde que ele chegou eu tenho uma inspiração particular para escrever.
Ele se tornou minha inspiração, não pelo que escreve, mas pelo que despertou em mim há muito tempo.
Há muito tempo atrás.






sexta-feira, 14 de junho de 2013

Célebre.

Fica, não vai.
Por que você tem que ir se acabou de chegar?

Senta, vamos conversar.
Se veio até aqui,
há de haver algum motivo.

Olha, meus lábios.
São cor de carne.

Sente, me beija.

Vê, tens um papel.
A folha está em branco.

Não escreves?
Compõe um poema,
faz um versinho.

Célebre, momento.
Eu e tu.
Nós.

Celebremos.


Reflexos

DESCULPA, se tudo que eu disser de agora em diante soar como irônico. É  que eu não contive o riso, ao ver você procurando os meus reflexos por aí.
E deixa eu te dizer: não adianta. Essas semelhanças são ilusões de sua mente, e isso você deveria saber, afinal não é isso que você estuda? A mente.
Percebi também, que eu me resolvi. Sim. Quanto a você só a uma leve lembrança, no que diz respeito às coisas boas que vivemos. As coisas ruins, eu vejo como permissivas de um Autor, que escreve cada capítulo de minha história com intensas e moderadas narrativas.
Sabe, todas as coisas que vivemos daria uma bom romance, mas não sei se serial policial, nostálgico ou o quê; mas , não crie expectativas quanto a isso. Guardo o meu romance, o escrito, para um alguém que ainda virá, e , caso ele não venha, eu faço uma ficção.
Você pode ser melhor, assim como me ajudou a ser. Basta você se decidir por isso.
Ficar com as janelas sempre fechadas, literalmente falando, não vai te ajudar em nada.
Deveria abrí-las ainda que fosse uma vez, a cada semana, e nefelibatar.
Faço isso sempre, mesmo caminhando na rua. Ir às nuvens e habitá-las é uma forma de sentir-se próximo ao Autor.
Minha relação com Ele, me fez ser o que sou, me fez ter o dom de poder me deixar ser prosa e poesia.
Você teve um belo livro em suas mãos, leu e até viajou tanto na leitura, a ponto de se envolver com a protagonista, mas não soube vivê-lo. Há leituras que precisam ser vividas.
Agora será somente um passante, a delirar e vagar por livrarias a procura de um livro, com uma capa semelhante a que um dia você leu.


sábado, 11 de maio de 2013

Avessa

- Fica online.
- Ok.
Estas foram as palavras, das quais ela passou a se arrepender alguns minutos depois.
Se ela pudesse voltar algumas cenas, desse capítulo ela teria eliminado esse pedido.
A pessoa com a qual ela desejara falar, de fato entrara e até trocara algumas palavras, mas era surda; não. Estivera surda.
Para dramatizar um pouco mais: ficara cega. Aliviando: estivera desatenta.
Naquela noite, o que ela queria era apenas alguém com quem conversar, e procurou a ela.
Aquela que passou a ser alguém com a qual ela gostava de estar. Se tornara sua companheira. Assim ela pensava. Talvez tenha idealizado demais.
Ela nunca perdera esse costume de por obras na sala, sem antes conhecer a vida e obra do autor. Bem, não posso dizer que isso vá lá fazer tanta importância, apenas penso que para atribuir valor e significância a algo que apreciamos e que nos faz bem, devemos ao menos ter algumas informações, para depois tecer considerações.
Talvez estivera comovida e abalada por alguns afetos e pela inteligência, ou seria pelo diferencial da outra?
Não sei.
Mas, ela ficara arrependida. O que deveria ser um desabafo, se tornou um turbilhão.
O desespero se tornou outros.
Agora ela está ao avesso. Trocara as sandálias por luvas.
Sente frio. Quem irá aquecê-la.
Será que esse inverno demora?, ela pergunta. O sol brilha lá fora e ela sente vergonha de sair, pois há um enorme frio em si. Dentro de si.
Ela clama pela sensibilidade que a outra não tivera.
Ela chora, fica insone. Sofre.
Mas, ao fim de tudo ela percebe que não se muda a ninguém, somente a si.
E que exigir dos outros requer acima de tudo que exijamos de nós.
Ela decide viver, e aprende que problemas devem ser resolvidos e não compartilhados.
Entende que as estações da vida, tem tempo indeterminado.





sábado, 27 de abril de 2013

Justificativa

Desculpa, amor.
Eu não sei fazer poesia.
Mas se fizesse, o primeiro verso falaria de amor.
E seria resumido em uma frase: Te amo.